Abri a porta do carro e faltou-me o ar, vinha com o AC ligado e estava um calor como não sentia há muito. Saí do carro e olhei para o lado, percebi que finalmente estava em São João das Lampas para os 7º Trilho das Lampas.

O caminho até ás Lampas não foi o que planeei, apanhei algum trânsito o que me deixou stressado. No entanto assim que entrei na Sociedade Recreativa Desportiva e Familiar de S. João das Lampas o levantamento do dorsal foi relativamente rápido e deu para me preparar bem para a prova.

Na linha da frente estava o José Gaspar portanto fiz como a malta que vai às ultras e percebe que o Ricardo Silva está na partida, desliguei o chip da competição e liguei o do “modo de treino”.

O ambiente da partida é algo que não se consegue descrever, o Paulo Guerra a dar o aquecimento quando já não há espaço para nos mexermos é arrepiante e no horizonte o coreto sempre à nossa frente.

A primeira metade da prova é praticamente a descer por isso arrisquei e fui sempre forte a correr em todos os momentos. Corri a descer e a subir.
Antigamente esta prova tinha uma zona com uma poça de água que obrigava a molhar os pés, felizmente nesta edição colocaram uma ponte de madeira e fiquei sequinho.

O primeiro abastecimento chegou rapidamente e até mais cedo do que imaginei, vi que tinha amendoins com sal mas não comi. Chegada à praia tinha a primeira grande subida vertical antes do estradão. Subi a caminhar mas sempre com boas sensações.

Houve quem ficasse desiludido com o estradão mas a mim não me chateou nada, houve na mm zona de arribas e deu para ver o pôr do sol.

Terminando essa zona temos o 2.º abastecimento, creio que só tinha água mas eu também não precisava de mais nada. Saindo dali começa a zona de subidas e noturna. Ligo o frontal e o escurinho deu-me uma soneira que só me apeteceu encostar-me e bater uma sorna, mas como não havia muito espaço lá corri.
Uns km depois já completamente escuro olho para trás e vejo o famoso serpentear de frontais dos trilhos das lampas, impossível ficar indiferente.
Muitas subidas depois começa a dar me a fome. Já estava a sonhar com o próximo abastecimento mas nada de aparecer. Até que começo a ouvir… CROAC CROAC CROAC!! Parecia que estava num anuncio da budweiser mas nada de ver as cervejas. Um pouco depois as famosas tochas tudo numa zona que não se via viva alma até que cheguei ao último abastecimento. Pergunto se o primeiro ía longe e sorriram a dizer que já tinha passado completamente louco. Dizem-me que a meta está a 6km.

Encho os flask e saio também a todo o vapor por ali a fora, sei que já não ia ganhar mesmo mas tinha a certeza que iria acabar.

A poucos km da meta um tapete para controlar se houve alguém a atalhar e a tomar conta dois jovens que provavelmente tiveram más notas e puseram-nos ali de castigo à noite sozinhos. Continuo a correr e a música começa a aumentar mas depois cada vez fica mais longe, digo mal da vida até que me apercebo que afinal a música não era da meta. Dou por mim no relvado a passar a meta mas a saber que os meus trilho das lampas não terminam ali. Vou voltar!