Carlos Móia, Meia maratona de Lisboa, mictório a céu aberto, 700 m x 40 m, 2019

Carlos Móia é um dos maiores artistas nacionais, um visionário e provocador nato. É actualmente o grande percursor do conceito Ready-Made, uma forma de arte em que se transfere para o âmbito da arte objectos industrializados.
Pertencente ao dadaísmo ou movimento dadá, o artista pretende criar arte de protesto que choque e provoque a sociedade burguesa sedentária.

A obra que vos trago hoje não é uma pintura nem uma escultura mas sim uma performance. É realizada anualmente e o local escolhido é as portagens da ponte 25 de abril. Ontem participei da dita.

Pensada inicialmente por Carlos Móia (é assinada com o pseudónimo Maratona clube de Portugal), é organizada para figurar entre as maiores performances do mundo. A Obra já foi detentora de recorde do mundo, tendo perdido esse titulo em 2018 para a Meia Maratona da IC2 (onde nem haviam WC). A performance aparenta ser só uma corrida comum de estrada de 21km.

O artista ano após ano move cerca de 30.000 pessoas para as portagens da ponte 25 de abril e coloca cerca de 20 Wc’s portáteis à disposição. O povo farto em diuréticos, tem de fazer pela vida e começa a amarinhar pelos montes em redor da partida para urinar e não só.

A despeito do gesto iconoclasta de Móia, observando a performance de helicóptero ou com um drone há quem veja na forma da zona do garrafão da portagem, semelhanças com a forma de uma vagina, de modo que se pode ensaiar uma explicação psicanalítica, quando se tem em mente o membro masculino lançando urina sobre a forma feminina. Aqui inclui-se também senhoras de cócoras protegendo-se umas às outras criando uma corrente solidária.

Ao transformar as portagens de uma ponte num gigante urinol o artista representa a alteração do sentido de um local quotidiano e critica as convenções artísticas actuais.