Grande parte dos atletas de trail o sonho é fazer o UTMB, quando conseguem realizar este sonho, passam a sonhar com hardrocks e western unions e por aí a fora. O meu sonho era mais modesto e consegui hoje realizar. Fazer o trail de Terrugem.

O dia começou como sempre em dia de provas: sopa de legumes, ovos mexidos, Torradas com doce, sumo de laranja e um café para despertar.

Saí de casa e a caminho de Terrugem veio-me à memória o que que li sobre a travessia integral da serra de Montemuro. Nevoeiro. Muito nevoeiro. Ao ponto de na Amadora não conseguir ver a serra de Sintra.

Felizmente ao chegar a Terrugem o nevoeiro tinha desaparecido e tudo indicava que seria uma prova bem passada. Eu fui ao trail curto porque normalmente os longos demoram muito tempo a acabar.

A prova arranca de Terrugem, passa em Godigana e Montalavar e volta. A prova longa provavelmente vai até Carne Assada e Cabrela.

A minha prova como sempre começou bem. Fui sempre a ganhar posições até ao 5º km em que aparece a primeira subida. Eu tenho pena que não existam trails curtos de 5/6km porque é a distância em que sou bom.
Esta subida era só de pedras e talvez fosse a mais difícil da prova. Subida dos 66m aos 138m de altura em apenas 500 metros(!).

Transposta a subida limitei-me a tentar gerir a prova até ao fim e usar os truques que já aprendi com a minha experiência de trail running.

Sempre que aparecia uma subidinha eu começava imediatamente a andar e a arfar, quem vem atrás quando vê alguém a andar 90% das vezes começa a andar também e não se ultrapassa pessoas que vão a andar a meio de uma prova.

Quando o terreno é mais corrível o meu truque é encostar ao atleta que vai à minha frente, assim que o consigo acompanhar faço uma pergunta. Normalmente, se é a sua primeira prova de trail. Dá conversa para meia hora em que eu não tenho de dizer nada, e o atleta com quem vou lado a lado quando dá por ele com tanta conversa rebenta e lá vou eu… repito isso sempre até à meta e até agora tenho tido muito bons resultados.

Chegada à meta, recebi um azulejo com um iman e rumei a casa.

A prova tinha afinal 13km em vez de 12km, 262m de desnível acumulado e tendo em conta a quantidade de vezes que tive de atravessar rios (6) em tão poucos km, para o ano quase de certeza que esta prova irá entrar no circuito de swimrun.

*na foto está a cascata de fervença, em Terrugem, não passámos por lá mas é bonita para ilustrar o post.