Já alguma vez sentiram frio nos testículos numa prova? Aconteceu-me pela primeira vez na prova rainha deste fim-de-semana.

Já há muito tempo que tinha curiosidade, este ano resolvi inscrever-me na prova que elege o campeão intergalático de trail running.

Cheguei ao local onde se iria desenrolar a prova e deu logo para perceber o que me esperava. Não por estar a chover a potes, mas sim pela concorrência com um leque de atletas na partida de fazer inveja a provas internacionais.

Como já todos sabem a prova foi encurtada devido ao mau tempo, mas nem por isso a concorrência diminuiu.

Quando andava na escola havia sempre uma malta que ficava na porta dos pavilhões (ou atrás) que eram temidos por todos.

Aqui foi igual. Não sorriam, e assim que a prova começou, desataram a correr por dentro das poças a molhar toda a gente. Seguiram a vida deles e eu, tal como na escola segui a minha, sem fazer queixinhas à contínua.

Não tinha treino para isto mas como já há muitos anos que quero fazer um post com a palavra resiliência (já está!), lá fui eu.

Em criança quando ía brincar com os meus irmãos tínhamos uma senha. Quando eu estava em perigo só tinha de gritar aliança, e eles apareciam para me salvar. Nesta prova lembrei-me desta palavra várias vezes por várias vezes me ter apetecido gritá-la. Mas não gritei. Achava eu que tinha ali amigos a correr. Mas isso era dantes. Passaram por mim e nem umas palmadinhas nas costas me deram. Um sorriso. Fiz tudo sozinho! A ver os lugares de pódio a irem embora lentamente…

Provas desta dimensão dá tempo para pensar em mil coisas. Lembrei-me de um post em que comparavam esta prova a um jogo de xadrez, e imaginei o Garry Kasparov durante um jogo com um chuveiro em cima dele o tempo todo.

Ir a correr sozinho tem vantagens, podes cair na lama que nunca ninguém vai saber que aconteceu. É como correr e não levar relógio para sincronizar a atividade.
Não está registrado é porque não aconteceu e a tua integridade não é posta em causa.

Os trilhos como era previsível estavam perigosos. E escorregadios. E molhados. Havia muita água. Nunca vi tanta água.

Para terem uma noção, acho que houve atletas que me ultrapassaram nadando em apneia sem eu os ver, enquanto eu ainda estava a tentar ver se teria pé no segmento seguinte.

Pelos abastecimentos não ficaria cliente e certamente não voltaria… Marmelada, salame, bananas e laranjas, agua e coca-cola. Mas eu acho que já estou com a fasquia em termos de abastecimentos muito elevada desde que encontrei uma prova com amendoins descascados com sal.

Já o almoço no final…Dá vontade de fazer a prova todos os dias só pelo banquete final.

Tendo em conta a quantidade de água o vencedor obviamente foi um triatleta.

Foi assim os trilhos de Casaínhos 2018.