Domingo foi dia de corridas Rock n’ Roll.

Tenho andado muito ocupado por isso quem tratou das inscrições e ir buscar os dorsais foi um dos elemento da minha crew.

Treinei o melhor que pude, fui Às escadinhas & subidinhas, fiz uns treinos longos de 13km em estrada, e até a Monsanto eu fui. Queria muito fazer sub 1:00 na mini-maratona.

O pessoal da crew disse-me para estar Às 7h10 na estação de comboios em Algés para chegarmos com tempo e fazermos tudo nas calmas e conseguirmos observar tudo da organização da corrida. Assim foi… Saí de casa às escuras, a chover, e apanhámos o comboio. Era ainda noite cerrada nem conseguia ver pela janela. Ultima estação toca de sair para apanhar o metro para o oriente. Mas afinal não estava no cais do Sodré. Estava em cascais…Ía ter de fazer a mini-maratona 7x.

Entrei em pânico mas tentei não demonstrar, estavam ali pessoas para correr com um ar aparentemente normal. Já que aqui estou deixa lá usufruir desta maravilha que dizem ser a maratona.

Liguei para o meu treinador e disse que me tinha enganado e iria ter de fazer a Maratona, ele disse que não fazia mal, era só comer géis e beber água que a coisa dava-se.

Já mais calmo fui para a área ao pé da partida. Achei que uma maratona teria um ambiente diferente de uma prova de 10km da xistarca mas na realidade a única diferença era ter camiões para por a roupa e levantar na meta. Camiões estes uteis também para proteger da chuva.

De resto tudo normal, um palco para uma dança de aquecimento que não sei se era zumba, alguns wc’s portáteis, homens e mulheres a fazer o último xixi atrás da moita, 10 ou 15 pessoas a dar força aos familiares que iam correr.

Tiro de partida e vamos lá a isto. Li uma vez não sei aonde que numa meia maratona se no inicio não achares que estás a ir extremamente lento é porque vais rápido demais. Tentei por isso ir ainda mais lento do que é do meu apanágio (nunca tinha escrito esta palavra, espero estar a usar correctamente).

Uma voltinha em cascais numa zona sem interesse só para os 42.195km baterem certo e lá estava o mar do nosso lado direito. 2km de prova e já havia malta a fazer corta mato. Fui sempre pela estrada não fosse aparecer a Polícia Internacional e de Defesa do traçado de provas.

Saímos de cascais e sempre sem chover, até dava para ver céu azul!

Um amigo disse-me que a maratona era uma prova solitária, achei estranho porque vejo sempre malta a ir em grupo mas na realidade durante bastantes km só se ouvia o mar e os passos dos corredores. Mau sinal pensei eu… Se oiço os passos desta gente é porque vão todos a correr mal. Inclusive o senhor que ía de chinelos. Felizmente eu não saí de casa com pressa e tive tempo de calças os ténis.

Para quem não sabe esta maratona chama-se rock n’ roll porque tem durante o percurso diversos palcos com música rock ao vivo. Não sei quantos palcos seriam no total, recordo-me do palco que tinha um rádio a dar música e não tinha músicos, e recordo-me do palco que nem músicos nem música para não desconcentrar os corredores.

Até metade da prova foi tudo bastante agradável, em Caxias junto ao comboio penduraram bandeiras de vários países e puseram uns jovens a agitar algumas bandeiras que achei bastante bonito e acolhedor. Teria sido um bom local para eu colocar cartazes.

De Algés em diante foi quando começou a prova. Já não havia nada para disfrutar e dali para a frente é só masoquismo. Há quem diga para nos divertirmos durante as corridas, mas acho que numa prova destas divertido é ver no dia seguinte os amadores como eu a subirem escadas.

Foi começar a ver pessoal estendido no chão com os bombeiros, a alongar os músculos nos passeios, de costas no chão e pés para cima encostados às árvores, tentei não desanimar e pensar que havia coisas piores que estar ali como por exemplo a guerra na síria, a fome em áfrica ou a malta que faz aquilo depois de nadar 3,8km e pedalar 180km e lá segui.

Cheguei ao km 30 e não vi muro nenhum, vi foi finalmente público a sério, estavam na passadeira, irritados porque queriam atravessar e não podiam. Desfilei pelo meio e continuei para o rossio, desci e continuei até Santa Apolónia.

Depois de Santa Apolónia foi a desgraça. Juntar o pessoal da maratona com o da meia ao fim de 35km faz lembrar os arrastões nas praias do rio de Janeiro ou de carcavelos. Vamos ali sossegados a tentar chegar ao fim e toma lá com não sei quantas mil pessoas todas secas a querer a água toda e as laranjas e as bananas e a ocupar a estrada toda e a ciclovia e as árvores. Dali até à meta foi difícil. Para mim foi difícil. Ao fim de quase 42km não sabia o que fazer quando passasse a meta. Se devia dar um salto e torcer um pé na meta, se atirar-me para o chão, se tentar sorrir para alguma camara. Optei por andar, pegar na minha medalha, e na banana verde que nem consegui descascar e desatar ao empurrão pois o muro finalmente apareceu, era ao km 42,195 e era composto pelos familiares de outros atletas que não me deixavam passar.